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22.11.09


Rosa dos ventos

Eu quero ser a rosa que despenca ao pé do horizonte azul.

Mais que um passarinho, eu contorno as horas e me roubo as caras, os lençóis, o sul.

E livre de juízos, e dos prejuízos, vou.

E a minha rosa dos ventos, ela é mais que torta, ela é a toda prova, que o amor, sou eu.



Se um dia eu tentei me desviar do que eu ainda não sei.

Foi puro medo ou mágoa. Tanto desmazelo, que nem vale a pena, levantar poeira. Eu tentei.



E a vida foi girando. Nem sei pra que ângulo. Pra que direção.

Agente se encana, se acha, se perde. E chega uma hora. Em que assumo o meu quintal.



E vieram todos, que queriam a paz.

Porque a paz, em todos, é mais, que o mais.










13.11.09


Hoje foi um dos dias mais lindos do ano
Não. Acho que de toda a existência,
e amanhã será ainda mais bonito.






9.11.09

Eterno Trabalho


Carrego comigo, uma eterna busca, um etéreo desejo. O anseio da descoberta. Tenho a visão curiosa. Um contemplar tímido e atento, de quem chega sem querer ser notado e vai embora querendo ser lembrado. Dono de uma paixão indiscreta, pelas coisas todas que vivem ou são. Anseio fazer a mudança no mundo sem que me notem, deixando das minhas doidices espalhadas ao vento, sopradas sobre o tempo. Assim eu não morro jamais. No entanto, também me é gentil a idéia de deixar tudo como está. Porque assim estando, eu sei que devagar restarei apenas nos corações de quem importa, e pelo tempo que me permitirem.












6.11.09


Desenrolo

É devagar que as coisas nascem, e é lentamente que elas nos deixam. E quando andamos devagar, conseguimos enxergar os episódios todos, de ângulos divinos. Quando o momento é esticado, é que cabemos dentro dele. E é devagar e docilmente que digo, somos nós o nosso tempo. E devagar com ele, nos esvaímos. Devagar eu divago sobre a vida. E sem pressa eu respiro, vagarosamente eu amo, pausadamente eu canto, sem pressa, me encontro. No ritmo dos ventos, dos rios, das eras. Eu vou lentamente para não me cansar, e para dar tempo de ajuizar os sentidos.

E devagar eu vivo, como se o agora fosse o sempre.






5.11.09


Abismos

Tenho conversado com tantas pessoas ultimamente. Noto que todas têm sempre algum problema na ponta da língua. Um desabafo, um desafeto qualquer. E penso, será mesmo que precisamos resolver as coisas de nossa vida? Despencar-nos e desgastar-nos para arrumar as coisas que para nós estão em desordem? Passo por uma nova era em que nada é capaz de me fazer entrar em pavorosa, e isso me faz pensar em como cada qual encontra as soluções em seu tempo. Cada qual em seu tempo.Temos a ilusão de que se não nos mobilizarmos as coisas não irão acontecer sozinhas. E elas acontecem. A vida vive sem a nossa ajuda. Percebendo isso, me deixei viver conforme tivesse de ser. Porque quanto mais nos sentimos donos das rédeas do nosso destino é que nos distanciamos das coisas naturais e verdadeiras. Eu agora fico em paz.

É na beira do abismo que nos salvamos.






4.11.09


Coisa bonita

Espero que amanhã eu acorde insano como hoje. E faça tudo do avesso de novo. Beije as plantas e as tias, e mate minha fome de viver. Tomara que eu acorde sorrindo. Disposto para um novo dia. Todo novo. O dia melhor de todos. Porque sempre o dia de amanhã haverá de ser melhor que hoje.







2.11.09

Revivendo um post que escrevi em 29.6.06



Maquinas orgânicas correndo atrás de seus respectivos sonhos. Com a pífia missão de falecer dando a impressão aos próximos de que foi feliz. Para que sigam no manejo desse vício que chamamos de vida. Um ciclo inesgotavelmente bêbado.

Um dia você se dará conta de que não é tão dono de si tanto quanto tem impressão, e fará dessa sua vida um algo novo a ponto de sublimar os laços de sua mínima existência. Enchendo de esperança e mágoa o seu próprio coração confuso.

Creia que a vida não é mais que um nome. Sua existência, minha existência, são muito mais longas do que o valor que damos a elas. Existe aqui uma força maior que qualquer ilusão.

As aparências um dia, irão sumir do seu ser, e darão espaço a uma imensidão melhor. Melhor do que esse lugar aqui. Tão cheio de nomes aos bois.

Ah..sim. Eu lhes falo da morte. Um descanço merecido, após tanta fantasia.






20.10.09


À paz,

Que me invade a boca, que me insufla o peito, que me faz poder sempre voltar atrás. Eu me descristalizei aos poucos, e os montes passam ao meu lado, pela rua, na calçada. Posso ver que é possível retornar, vice-versear a fábula. Me torno dono da minha paz e da minha história. Sabotando as minhas memórias, passo sempre a me recriar. Respeitando meus dias vividos, mas encorajado na construção do novo. Amando o estado presente. Aproveitando da centelha de pensamento que sobre nós repousou. Em reverência a minha própria existência, nesse momento presente, darei sentidos às coisas que ainda não os tiverem. Quando paro em um momento desses. Um momento mágico desses. Compreendo que não importa o que aconteceu até agora. Menos ainda o que acontecerá. O nosso presente momento é tudo o que temos. Se não estivermos em paz agora, do que vale fazer planos?

Permitamo-nos usar a vida a nosso favor e a favor do mundo. Antes que a vida nos use, a favor de ninguém e de nada.

Dieferson Cesar






19.10.09

Dalai Lama
Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde.

E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma
que acabam por não viver nem o presente nem o futuro.

E vivem como se nunca fossem morrer…
e morrem como se nunca tivessem vivido.








14.10.09




"Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.

E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim".

(Cecília Meireles)






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